R7 | Victor & Leo: “Sentimos a necessidade de nos repaginar”


A dupla Victor & Leo já tem 21 anos de estrada, sendo que há sete anos figura entre os principais nomes da música sertaneja. Não à toa. A cada álbum os irmãos provam porque merecem um lugar especial na música nacional.
Viva por Mim, o novo CD dos sertanejos, dá uma reviravolta no jeito Victor & Leo de fazer música. O estilo folk com sertanejo raiz dá espaço a uma mistura de ritmos, que já faziam parte das influências deles, mas que neste álbum estão escancarados.
Quase irreconhecíveis em músicas como Amor.ComConheço Pelo Cheiro e Guerreiro, os sertanejos mostram que podem se reinventar.
Muito deste novo lado de Viva por Mim tem a cara de Leo. A voz principal da dupla entrou em estúdio não só para cantar, mas colocou a mão na produção e nas composições.
— Eu diria que é uma nova cara, não do Leo, mas do Victor & Leo. Meu irmão também tinha essa vontade de repaginar, de colocar mais guitarra... Por mais que eu tenha assinado a produção do CD, nossas ideias casaram.
A confiança do irmão Victor, que sempre foi o responsável por essa parte artística, foi primordial para a segurança de Leo. Foi de Victor também que o mais novo pegou o gosto pela composição. Fato que já deu a Victor o posto de maior arrecadador de direitos autorais no País.
— Algumas coisas de versos e rimas que têm muito do Victor. Quis experimentar produzir, arranjar, virar música. A primeira que eu fiz foi Viva por Mim. Como elas foram tomando um rumo diferente, que era o que a gente queria. E o Victor percebeu isso e achou por bem deixar tomar a frente para deixar uma coisa homogênea. Achei bom ter a confiança dele, mas sempre fazendo junto. Por isso, o disco tenha ficado diferente dos outros.
Leo não se prendeu a nada que já esteja tocando nas rádios. Mas, afirma que as coisas foram tomando formas no estúdio. A dupla sempre teve um posicionamento claro sobre as novas gerações do sertanejo e chegou até a declarar que o mercado estava se prostituindo e que os filhos não ouviriam as músicas do sertanejo universitário. Hoje, tem um discurso menos duro. Leo diz que o que acontece atualmente no sertanejo é uma evolução natural.
— Embora as músicas atuais tenham rótulos é uma mudança na música sertaneja. Os artistas de hoje levam muito no arrocha, no forró, misturam com funk. Não se sabe bem o que é. Não que ache ruim. Definitivamente. Se esses caras estão lotando, colocando público, tem um porque, então, está tudo certo. Eu não tenho preconceito. Posso não ouvir, mas respeito o que é feito agora.
Hora de se reinventar
Victor ressalta que os álbuns anteriores foram “galgados em sonoridade acústica”, o que não aconteceu com Viva por Mim. Ele acredita ter esgotado a última gota deste formato. Era hora de mudar.
— A gente não queria fazer o que já fez e o que está sendo feito. Não por preconceito, mas por conceito mesmo.
Com sete anos de sucesso, como dito acima, Victor afirma que a dupla, que faz sua estreia na gravadora Som Livre com esse álbum, tem a liberdade de ir à contramão do mercado atual.
— A gente pode fazer qualquer coisa, porque a gente aconteceu assim, com essa diversidade musical.
Por isso, as guitarras gritaram neste novo álbum, como um sinal para dizer que a dupla tem gás de sobra para bater de frente com artistas novos e com animação de sobre. Victor diz que já teve retorno positivo tanto dos fãs, quanto de novos públicos. Um deles foi a música de trabalho, Linha do Tempo, estar há sete semanas consecutivas em primeiro lugar nas rádios do País.
— É ousadia a gente dizer que não vai se importar se não for aceito, porque a gente precisa dessa renovação. Mas, isso não quer dizer que vamos nos distanciar da nossa essência. Renovando o som, renovamos o nosso público.
Leo diz que a renovação tem a ver também com a preocupação em manter a carreira e não perder espaço.
— Era objetivo dar uma repaginada. A gente não quis esperar dar uma caída muito grande para inventar algo novo. Sentimos a necessidade de repaginar agora. 
Quem ficou preocupado em não ouvir Victor & Leo dos álbuns anteriores, pode ficar tranquilo. A dupla está com uma pegada nova, mas não se perdeu no objetivo. Uma das provas disso é a faixa Tudo Bem, com Almir Sater, que mostra que é possível renovar, mas sem perder a essência.
Fonte: R7

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