Diário do Nordeste | Sertanejo repaginado

Composto por 13 músicas inéditas, sendo 12 canções autorais, "Viva por mim" marca uma nova fase da dupla sertaneja. Ao Zoeira, em entrevista exclusiva, Victor Chaves disse que o trabalho representa um diferencial na carreira dos irmãos mineiros.



"Todos os outros [álbuns] foram feitos de maneira acústica, focando mais no meu violão. Sentimos que era hora de dar uma repaginada, fazer um disco mais ousado, oferecer uma notícia artística aos nossos fãs", explicou.

Para o músico, o fato do repertório ter referências que vão do sertanejo de raiz, passeando pelo rock, folk, r&b e black music, torna o estilo da dupla "universal". "Eles [os estilos] sempre estiveram presentes no nosso som. Como dessa vez o disco não está tão acústico, dá pra sentir mais. Mas o sertanejo regional sempre será nossa maior referência", esclarece.

Já conhecido como autor de faixas de sucesso, como "Borboletas" e "Não precisa", que virou hit na voz de Paula Fernandes, além de Victor, o recente trabalho da dupla mostra o lado compositor de Leo. "Ele sempre fez a linha mais tímido, apesar de já ter composto comigo há muito tempo, mas agora se soltou", diz o irmão, orgulhoso.

"Viva por mim" ainda conta com duas faixas compostas a quatro mãos pela dupla: "O tempo não apaga" e "Faz bem se apaixonar". Sobre criar em parceira, Victor admite que não é fácil. "É raro isso acontecer. Até porque não posso prever quando a inspiração vem. Mas com a canção "O tempo não apaga", por exemplo, estávamos nos bastidores de um show. Fiz uma melodia antes de entrar no palco e mostrei pro Leo. Ele escutou e encaixou com uma letra que tinha feito. Fizemos a música em 30 minutos. Mas varia. Tem músicas que demoram duas horas, assim como umas letras que ele me envia e eu não consigo encaixar em nada...", explica.

Para completar, o disco ainda conta com as participações especiais de três gerações do sertanejo: Almir Sater, na faixa "Tudo bem", Bruno e Marrone, em "Eu vim pra te buscar", e Jorge e Mateus, em "Guerreiro". Victor fala sobre os convites: "São três artistas que admiramos. O Almir é nossa referência desde a infância. Foi um privilégio gravar com ele. O Bruno e o Marrone se consagraram antes da gente. Então já tocamos muita música deles em bares, restaurantes. Respeitamos muito a dupla. E o Jorge e o Mateus são de uma geração mais nova, mas têm nossa admiração. "Guerreiro" tem uma pegada mais dançante, então acredito que combinou com a dupla".


Troféu

Questionado sobre a quinta indicação da dupla ao Grammy Latino, que será entregue no próximo dia 21 de novembro, em Los Angeles, na categoria "Melhor álbum de música sertaneja", com o disco "Ao Vivo em Floripa", Victor não esconde a satisfação. "Ter um disco indicado ao Grammy é um troféu. Porque o nosso álbum foi escolhido para concorrer entre milhares. É uma honra, nos incentiva", comenta.



Por enquanto, o foco dos irmãos é divulgar o novo trabalho. "O ´Viva por mim´ tem só um mês de lançado", se justifica. Um DVD ainda não está nos planos da dupla, mas ele não descarta a possibilidade. "Quem sabe ano que vem", promete.



Sem fazer show em Fortaleza desde 2012, o cantor confessa que ainda não tem previsão de uma apresentação na Capital cearense, mas não nega a ansiedade. "Adoramos os cearenses. É um povo educado, caloroso, simpático. Nosso trabalho sempre foi muito bem aceito", elogia.



Jacqueline Nóbrega
Repórter


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